sábado, 7 de julho de 2012

Poema: PARA AQUELE QUE É

O universo está permeado por um mistério e um segredo!
A “realidade da ilusão” a tudo engloba, mesmo os quadrantes mais longínquos da obra da criação universal, desde o início dos tempos.
No segredo está contido a chave para o início de tudo, o começo daquilo que é, do eterno e da Verdade. Verdade que está para além das barreiras fronteiriças desta bolha de realidade existencial.
Abrem-se os portões, trancados há muito tempo, para que se posso vislumbrar o que existe para além das grossas muralhas da bolha.
Nunca vi muralhas tão grandes, rígidas e espessas. Mas também nunca vi muralhas tão facilmente permeáveis e transponíveis.
Nunca vi fronteiras ao mesmo tempo tão reais e ilusórias para aqueles que se encontram do lado de cá.
Nunca vi sentinela tão magnífica e tão frágil como a que do lado de dentro se encontra protegendo as saídas
Nunca vi força maior e potenciais tão surpreendentes! Mas também nunca vi cegueira que escurecesse tanto a capacidade de perceber a Vida!
Nunca vi coragem tão imponente e ao mesmo tempo tão cheia de medos!
Nunca vi carinho tão admirável e ao mesmo tempo disciplina tão rígida! Nunca vi amor mais incompreensível e ao mesmo tempo tão óbvio!
Nunca vi um Pai tão presente e simultaneamente posicionado tão distante!
Nunca vi cuidados tão intensos e respeitosos! Mas também nunca vi decisões que surgem tão facilmente a favor da destruição! Eu nunca vi controle tão imponente e ao mesmo tempo inexistente!
Nunca vi matéria tão real, tão densa e tão pesada, mas que ao mesmo tempo “se mostra” tão sutil e mentirosa! Nunca vi união tão intrínseca e desunião tão evidente convivendo tão próximas.
Nunca vi dependência tão grande e simultaneamente sem a vontade de existir! Nunca vi vontades tão soberanas juntamente com vontades tão ilógicas!
Nunca vi um Criador tão criatura e criaturas tão criadoras! Nunca vi infinitude tão extensa coexistindo com uma finitude tão evidente.
Nunca vi valores tão altos e apreciáveis! Mas também nunca vi os mesmos não tendo o menor valor!
Nunca vi necessidade que se mostra tão à vista, mas que ao mesmo tempo se expressa como sem necessidade! Nunca vi carência maior que esta que se diz não precisar de nada!
Nunca vi paternidade tão humana convivendo no mesmo terreno com humanidade tão divinamente paterna!
Nunca vi um contato tão difícil que se estabelece assim, tão facilmente!
Eu nunca vi mente tão viva que sobrevive assim, sem a sua Vida!
Nunca vi nada tão igualmente parecido, mas que, ao mesmo tempo, parece tão diferente!
Nunca vi luz tão brilhante! Mas também nunca vi tamanha ausência da Luz!
Nunca vi algo tão cheio de amor necessitando tanto de amor!
Nunca vi alguém com idade tão avançada se comportando dessa maneira, com tamanha infantilidade!
Nunca vi perfeição assim, sendo tão imperfeita!
Nunca vi uma fonte tão abundante, mas que, ao mesmo tempo, é tão seca!
Nunca vi alguém com tamanha representação! No entanto nunca vi também alguém sendo representado desse jeito, por aqueles que não o representam diretamente!
Nunca vi fraternidade tão unida que se desune por tão grande fraternidade!
Nunca vi sacrifícios tão dolorosos coabitando com prazeres tão divinos!
Nunca vi silêncio tão sonoro! Mas também nunca vi sOm tão silencioso!
Nunca vi alguém assim, tão incomodado com quem por amor por ele agiu!
Nunca vi tamanha inteligência! Mas também nunca vi inteligência abraçada com tamanha ignorância!
Nunca vi uma criação de padrões tão dependentes que, por fim, ficou tão dependente dos padrões criados!
Nunca vi estratégia tão bem elaborada! Mas também nunca vi uma estratégia assim, que precisa da elaboração de tantas estratégias para ficar bem!
Nunca vi sofisticação tão fabulosamente desenvolvida! Mas também nunca vi esta tão longe da elegância!
Nunca havia visto evolução tão magnânima sem a capacidade de evoluir!
Nunca vi um ser tão Alto necessitar de seres tão baixos!
Nunca havia visto a superioridade desta forma, sendo confundida tão facilmente com triste inferioridade!
Nunca vi problemas tão complexos! Contudo também nunca vi os mesmos serem resolvidas com questões tão divinamente simples!
Nunca havia visto formas tão divinas estando tão aprisionadas às divinas formas!
Eu nunca havia visto alegrias tão sofridas se misturando com sofrimentos tão alegres!
Nunca vi universo tão brilhante assim, carecendo de tanto brilho!
Nunca havia visto destruição dessa maneira, com tamanha capacidade construtiva!
Nunca havia visto a morte se mostrando assim, como a única solução para a Vida!
Nunca vi amor maior em mim, vindo tão intensamente daquilo que me convida à revolta! E nunca vi maior revolta em mim, por não ter exercido antes a postura do amor!
Nunca havia visto antes em mim tamanha vontade de me ligar àquele que um dia me separou da Vida!
Nunca vi desejo maior que este em mim, de oferecer minha gratidão e reconhecimento àquele que um dia teve um impulso ingrato de gerar a ilusão!
Nunca vi em mim sorriso tão terno ao olhar para tamanho problema! Mas também nunca vi nele renúncia tão grande como a que tem exercido agora!
Nunca havia visto, pela visão da alma, aquilo que agora está tão à vista!
Nunca quis, tanto quanto agora, dar a mão àquele que me deu o corpo inteiro!
Nunca quis, tanto quanto agora, abraçar aquele que me deu os braços! E nunca quis, tanto quanto agora, bendizer aquele que me presenteou com os órgãos da fala!
Nunca quis, tanto quanto agora, acolher aquele que um dia me deu esta Casa! E nunca quis, tanto quanto agora, ir ao encontro daquele que um dia criou a distância!
Nunca quis, tanto quanto agora quero, olhar a Obra universal daquele que um dia me deu os órgãos da visão!
Nunca quis, tanto quanto agora, exaltar além das fronteiras deste mundo o nome daquele que um dia nos deu todos os mundos!
Nunca quis, tanto quanto agora quero, oferecer meu serviço amoroso àquele que um dia me “condenou” ao trabalho suado!
Nunca quis, tanto quanto agora, oferecer minhas preces àquele que um dia se recriou como deus!
E nunca quis, tanto quanto agora quero, dizer a ti, Pai Javé, que você tem meu amor, meu carinho e meu respeito!
Bendito seja o Pai deste universo!
Bendita seja sua criação!
Bendita seja a intenção que o motivou!
Bem-vindo ao meu coração!

Paulo Gustavo Tavares

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